terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Resto São Cinzas




Passei dois dias digerindo a piaba que o Glorioso de General Severiano tomou da Mulher Melancia (AKA Dodô) e sua turma da colina. Não vi o jogo, acompanhei pela Rádio Globo...até o fim. Como faria se estivesse lá no Engenhão, debaixo de chuva, até o fim. Vi os seis gols no dia seguinte, depois de muito relutar e fugir dos noticiários.

Moro em São Paulo, não tive que me desviar das bancas de jornal, fugindo das capas dos jornais esportivos. Não encontrei flamenguistas, tricolores e vascaínos na rua pra me zuar. Mas senti a dor daquela humilhação como todo Botafoguense no país.

Acessei os sites esportivos como sempre faço, para me deparar com a cena daquele senhor ateando fogo na camisa do Glorioso. Oras, meu senhor (que não conheço e não faço a menor questão de conhecer ou de ler seu pedido de desculpas públicas) se querias chamar tanto a atenção para a sua dor, que tacasse fogo em seu próprio corpo. Disse isso nos comentários do post do @pcfilho sobre o acontecido e aqui repito:

"Sr. José Calixto Ribeiro, se o senhor está TÃO insatisfeito com o seu time (e não lhe tiro a razão pra isso em momento algum) compre um litro de gasolina, jogue na cabeça e acenda um fósforo. Mas desrespeitar assim, a camisa do MEU TIME, não senhor."

A síndrome do vira-lata Botafoguense. Não bastasse a vergonha extrema dentro de campo, esse cidadão arma nossos rivais com mais munição para chacota. Vamos todos bater palmas para o Sr. José! ¬¬

A síndrome do "meter os pés pelas mãos" Botafoguense. Demitir um técnico competente em início de temporada em razão de um episódio (quero crer) atípico e isolado e trazer um "técnico preguiçoso, flamenguista, que só vai durar até o fim do Carioca", como bem disse o @pinheiroandre

Vida que segue. O resto são cinzas de uma noite pra esquecer.

8 Comentários:

PCFilho disse...

Espero que tenha entendido o meu post como uma forma de engrandecer o Botafogo. Eu JAMAIS faria o que o velho torcedor fez.

Conforme escrevi, acho que o Botafogo vai melhorar. E torço por isso, apesar de ser tricolor.

Boa sorte!

Zé da Fiel disse...

Eu realmente queria ouvir teu comentario e tecer um comentario sobre o assunto já que ... "futebol é a coisa mais importante dentro das menos importantes - uma citação corriqueira do milto itaipu-"...li a carta de desculpa do citado torcedor e fiquei ainda mais desenimado.

Porra com 56 anos? Torcedor desde os 8? Era pra tu ter tu ter encostado a barriga na mureta de proteção e ter começado a entoar o hino...pra contagiar a equipe? Pra fazer as arquibancadas insuflarem? Não, Pedro Bó. Fazer isso pra relembrar por que torcemos, por que gritamos e por que sofremos por nosso "amor verdadeiro", o unico amor incodicional que nunca vai ser traido e isso independe de fase, titulos ou serie. È só
perguntar pra galera do Santa cruz e depois tu me fala... de longe, por que não quero ta perto de ti caso algum torcedor verdadeiro te reconheça.

Victor disse...

Meu primeiro comentário sobre o coroa resume tudo o que tenho a dizer, mesmo depois de ler qualquer opinião parecida ou diferente:

Quando os seres humanos vão ficando velhos, eles costumam ir adquirindo mais direitos. Em contrapartida, eles tem apenas um dever a mais que os jovens não precisam:
Senso de Ridículo.
Que velho babaca.

Anônimo disse...

Acho que este senhor deveria mostrar a revolta dele de outra forma. Sugiro que em jogos do Botafogo, os torcedores não vão ao estádio. Devem ficar em casa e o time jogar sem torcedor algum.

Victor disse...

Aqui uma verdadeira, inocente e genuína forma de se indignar por um clube como o Botafogo.

All3X disse...

Todos os torcedores de futebol se parecem entre si como soldadinhos de chumbo. Têm o mesmo comportamento e xingam, com a mesma exuberância e os mesmos nomes feios, o juiz, os bandeirinhas, os adversários e os jogadores do próprio time. Há, porém, um torcedor, entre tantos, entre todos, que não se parece com ninguém e que apresenta uma forte, crespa e irresistível personalidade. Ponham uma barba postiça num torcedor do Botafogo, dêem-lhe óculos escuros, raspem-lhe as impressões digitais e, ainda assim, ele será inconfundível. Por quê?

Pelo seguinte: - há, no alvinegro, a emanação específica de um pessimismo imortal. Pergunto eu: - por que vamos ao campo de futebol? Porque esperamos a vitória. Esse otimismo é o impulso interior que nos leva a comprar ingresso e vibrar os noventa minutos. E, no campo, o otimismo continua a crepitar furiosamente. Não importa que o nosso time esteja perdendo de 15 X 0. Até o penúltimo segundo, nós ainda esperamos a virada, ainda esperamos a reação. Pois bem: - o torcedor do Botafogo é o único que, em vez de esperar a vitória, espera precisamente a derrota.

Os outros comparecem na esperança de saborear como um chicabon o triunfo do seu clube. Mas o torcedor do Botafogo é diferente: - ele compra o seu ingresso como quem adquire o direito, que lhe parece sagrado e inalienável, de sofrer. Eis a verdade: - ele não vai a campo ver futebol. O futebol é um detalhe secundário e, mesmo, desprezível. Ele quer, acima de tudo, desgrenhar-se, esganiçar-se, enfurecer-se e rugir contra Zezé Moreira. No dia em que retirarem do torcedor alvinegro o inefável direito de sofrer e, sobretudo, o direito ainda mais inefável de descompor o seu técnico, ele ficará inconsolável, como um ser que perde, subitamente, a sua função e o seu destino.

Tudo na vida é uma questão de hábito. E o cidadão que padece todos os dias acaba se afeiçoando ao próprio martírio ou mais do que isso: - o martírio torna-se insubstituível como um vício funesto. É o caso da torcida alvinegra que, desde 1910, sofre e, ao mesmo tempo, xinga Zezé Moreira. Conclusão: - já não pode viver sem uma coisa e outra.

Por exemplo: - o clássico de ontem, no Maracanã, foi o que se chama de jogo ideal para o torcedor do Botafogo. Já durante a semana, ele vivera mergulhado no pessimismo como um peixinho no seu aquário. E, ontem, finalmente chegou o grande dia: - a torcida alvinegra sofreu como nunca e rugiu, como nunca, contra Zezé Moreira. De fato, o Vasco exerceu um feroz, um maciço domínio de oitenta minutos. E mais: - o Vasco deu show, jogou bonito, brilhou escandalosamente como um Sol. No intervalo do primeiro para o segundo tempo, encontro um amigo botafoguense. Exultante com o próprio sofrimento e com o próprio furor, ele veio, para mim, de braços abertos. Do lábio, pendia-lhe a saliva pesada e elástica de uma cólera sagrada. Agarra-me e rosna-me, ao ouvido: - “Esse Zezé Moreira é um tarado!” E repetia, atirando patadas ao chão: - “Tarado!

A princípio, pensei num crime sexual ainda impune, praticado nalgum terreno baldio. Pálido, quero saber por que “tarado”. Então, o amigo explica-me: - porque pusera o Bauer no lugar de Pampolini! E essa substituição parecia, ao meu conhecido, o sintoma inconfundível de uma “tara” tenebrosa. O diabo é que todo o esforço e todo o brilho do Vasco não renderam mais que um franciscano empate de 0 x 0. Acresce que, nos dez minutos finais, o Alvinegro reage dramaticamente e quase ganha o jogo, quase.

(Crônica do Nelson Rodrigues escrita em 1956, publicada no livro "O Berro Impresso das Manchetes")

Só para deixar registrado ;p

Jééh disse...

não sou botafoguence, mas desaprovo esse jesto infame desse velho barrigudo, já pensou se doo dia pra noite todo torcedor de todo os times começarem a queimar o manto sagrado de seus respectivos times, é melhor então acabar com o futebol deveis, O FUTEBOL É SORTE, E NEM SEMPRE OS MELHORES VENCEM(não estou dizendo que é o caso já que nem vi ou ouvir esse jogo em especial).

Torcedores, sejam torcedores na alegrai e na tristeza, afinal muitas pessoas não se referem ao futebol como um casamento?

Pedro Paulo F. Lima disse...

Genial a crônica. Como se dizia antigamente em tardes preguiçosas no Pentinho..."Quem sabia das coisas era o Nelson".

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